Centro Oeste / Center-West

O Centro-Oeste (CO), região administrativa definida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 1969, é uma das cinco regiões da República Federativa do Brasil, o 5º país do mundo em extensão territorial, ocupando 47,3% da América do Sul, e o 6º em população, com 211,7 milhões de habitantes.

 

Compreendendo cerca de 18.86% do território brasileiro, e com área superior à do conjunto França, Espanha, Alemanha e Inglaterra, o CO é formado por três estados, Goiás (GO), Mato Grosso (MT) e Mato Grosso do Sul (MS), e pelo Distrito Federal (DF), onde se localiza Brasília, capital do país, sede do governo do DF e Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. O CO é a mais interiorana das regiões e a única a fazer fronteira com todas as demais, justificando a sua vocação para as atividades logísticas.

 

Um dos aspectos mais marcantes da região é o seu relevo, formado majoritariamente por planaltos, onde destaca-se o Planalto Central, um grande bloco rochoso, formado por rochas cristalinas, sobre as quais se apoiam camadas de rochas sedimentares. A região também é constituída pelo Planalto Meridional, ao sul (GO e MS), composto por rochas sedimentares, arenitos e basaltos, e pela Planície do Pantanal, localizada no oeste do MS.

 

O CO apresenta, em sua maior parte, solos ácidos, que demandam processos de correção química e adubação, justificando a região como grande importadora de fertilizantes. Os solos mais férteis, com terras roxas, aparecem em forma de manchas no sul de GO e do MS.

 

A região CO apresenta clima tropical semiúmido, caracterizado pela presença de duas estações bem definidas, o verão chuvoso e o inverno seco, acompanhado de temperaturas elevadas o ano inteiro. Apresentando índices de radiação solar acima da média brasileira, com destaque para o nordeste de GO, a região é dotada de grande potencial para o aproveitamento de energia solar fotovoltaica, a mais limpa dentre as fontes renováveis não convencionais, durante o ano inteiro.

 

Curtos períodos de seca podem surgir em meio à estação chuvosa, fenômeno denominado veranico, causando sérios problemas para as culturas. Esse contexto climático cria condições para o surgimento do Cerrado, o segundo maior bioma do país. A irrigação é prática comum na região, sendo o pivô central o sistema de irrigação predominante em suas culturas.

 

Na região CO situam-se rios planálticos, acompanhando o relevo predominante da região, podendo-se destacar três bacias hidrográficas: Tocantins-Araguaia, Paraná e Paraguai, a última abastecendo a região do Pantanal Sul Mato Grossense. Com potencial navegável de cerca de 3.000 km, a hidrovia Tocantins-Araguaia promoverá o crescimento do agronegócio no arco norte com a conclusão da obra de derrocamento do Pedral do Lourenço, no sudeste do Pará, que permitirá a navegação do Tocantins durante o período de seca.

 

A hidrovia Tietê-Paraná, com barragens, eclusas, canais artificiais e terminais intermodais, divide ao meio o estado de São Paulo implementando uma importante rota hidroviária, conectando comanditeis do MS e GO ao Porto de Santos, que conta com acesso ferroviário no último trecho (53% das cargas do agronegócio acessam o porto por esse modal).

 

A colonização da região CO se deu no século XVII com a chegada dos bandeirantes, sertanistas do período colonial, que buscavam de riquezas minerais, sobretudo ouro e prata, ocasião em que lugares pontuais da região CO foram povoados. A partir do século XIX, a pecuária se estabelece como atividade principal e começa a atrair indivíduos. O forte povoamento do CO inicia a partir da construção de Goiânia (1933), a capital de GO, e de Brasília (1960). Desde então, o CO começa a se integrar às demais regiões, com a construção de pontes, estradas e incrementos no setor de energia.

 

O CO possui 16 milhões de habitantes, apresentando alto incide de urbanização (89%). A região continua recebendo imigrantes das regiões NE e S, basicamente em função da expansão da fronteira agrícola, do crescimento industrial e de atividades no setor de serviço típicas de áreas urbanizadas.

 

Com densidades demográficas muito baixas, as atividades econômicas do CO concentram-se na agricultura e na pecuária, que contabiliza 4 cabeças de gado para cada habitante da região. Em GO, modelos de criação intensiva, como o confinamento de gado, buscam maior rentabilidade (o estado detém 30% do gado confinado do país). O agronegócio, que surgiu da agricultura de subsistência para apoiar prática pecuarista, se tornou uma das atividades mais produtivas do país, com a cultura de grãos, tendo como principal expoente o complexo soja (soja, óleo e farelo) e milho.

 

No eixo da BR-163, ao norte de MT, localiza-se a região de maior produção de soja e milho do Brasil, no município de Sorriso-MT, o maior produtor individual de soja do mundo. No sudeste de GO e no sul de MS destaca-se a produção de soja, arroz, algodão, café e milho. Não obstante a região CO seja a maior produtora de grãos a nível nacional e mundial, os custos de fretes, que utilizam predominantemente o modal rodoviário, são os mais caros do Brasil.

 

O setor industrial da região CO ainda é incipiente, porém cresce de forma considerável atrelado ao processo de desconcentração industrial vivenciado no país. No Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA), distante 150 Km de Brasília, se encontra o maior parque industrial do CO, com destaque para a indústria farmacêutica, uma planta industrial de veículos automotores (Hyundai Motor Company) e empresas de fertilizantes.

 

Embora ainda pouco explorada, a região CO é detentora de grandes reservas de ferro, manganês, níquel, cristal de rocha, ouro e pedras preciosas, de agrominerais como calcário e fosfato e de minerais como nióbio e terras raras demandados em produtos de alta densidade tecnológica.

 

O país atravessa um momento impar de investimentos em setores estratégicos de infraestrutura. O investimento público em ferrovias consta como carro-chefe para a criação de um novo corredor logístico no País. Para tal, o governo federal injetará R$ 1,8 bilhões visando a atração de investimentos. Neste contexto, o país tem como meta concluir a construção de um dos trechos da FIOL (Ferrovia de Integração Oeste Leste) (EF-334), financiar o projeto executivo da FICO (Ferrovia de Integração Centro Oeste) (EF-354) e construir trechos da FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), controlada pela Vale, todas estas interligadas à FNS (Ferrovia Norte Sul), fazendo uso do mecanismo de investimento cruzado, que permite ao governo usar recursos de outorga para fazer obras ou comprar equipamentos para outras ferrovias, previsto na Lei 13.448/2017 e regulamentado em 2019 pelo Decreto 10.161.

 

Destaca-se ainda na carteira de projetos MINFRA a construção da Ferrogrão (EF-170), ferrovia longitudinal que irá ligar os estados de Mato Grosso e Pará, entre os municípios de Cuiabá (MT) e Santarém (PA), desembocando no Porto de Miritituba, no município de Itaituba/PA.

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Goiás

O estado de Goiás apresenta posição geográfica privilegiada, ocupando 340.106 km² distribuídos entre 246 municípios. Com clima tropical, há duas estações bem definidas: verão úmido (setembro a abril, com 1.200 a 2.500 mm) e inverno seco, com temperaturas médias entre 18º e 26ºC. Possui taxa de urbanização de 90% e IDHM de 0,76, indicando boa longevidade, educação e renda.

 

Apesar de ter o setor de serviços como pilar de sua economia, Goiás é um dos estados líderes em produção de commodities agrícolas e medicamentos genéricos.  Destacam-se a indústria de alimentos e bebidas, mineração, fármacos, fabricação de automóveis e etanol. É o 4º produtor nacional de grãos com 22,815 milhões de toneladas (9,5% da produção de grãos do país). A pauta agrícola é bastante diversificada destacando a soja, sorgo, milho, cana-de-açúcar, feijão e tomate. O rebanho bovino é o 2º do país com 22,8 mi cabeças, ou 10,6% no efetivo nacional.

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Rodovia

Brasil / Goiás
Aspectos Econômicos

O Produto Interno Bruto (PIB) mundial ficou em US$86 tri e o brasileiro em US$1,85 tri, isto é, 2,1% do PIB mundial. A produção industrial brasileira correspondeu a 2,1% da produção industrial mundial, porém contribuiu com apenas 0,82% das exportações totais de produtos industrializados. O PIB brasileiro de US$1,85 tri (Goiás, US$48,7 bi) resultou em um PIB per capita nacional de US$8,8 mil (Goiás, US$6,9 mil).

 

O PIB industrial brasileiro foi de US$391 bi (Goiás, US$12,8 bi), resultando em um PIB industrial per capita nacional de US$1,86 mil (Goiás, US$1,84 mil). A Tabela 1 apresenta esses valores.

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