Da 1G à 5G das Redes de Telefonia Móvel

Atualizado: Jul 19

Implantada ao final dos anos 1970 com tecnologia analógica, as redes de telefonia móvel deram importantes passos nas últimas décadas para se tornarem, atualmente, um sistema disruptivo de alto impacto no desenvolvimento das nações.


A 1ª geração (1G) surgiu em 1979 no Japão, em 1983 nos EUA e no início dos anos 1990 no Brasil, os dois últimos no padrão AMPS. Com tecnologia FDMA e circuitos dedicados (circuit switched), a 1G operou no Brasil inicialmente na faixa de 800 MHz com canais de 30 kHz. Atingindo em poucos anos o limite de capacidade, foi substituída pela 2G, digital, que proporcionava vantagens como a codificação (e compressão) digital da voz e uma maior eficiência espectral.


A 2G se instalou no Brasil em vários padrões, como o TDMA (D-AMPS), CDMA e GSM, este último responsável pela introdução dos SIM cards. O GPRS (2.5G), um desdobramento do GSM, ainda é muito utilizado em todo o mundo para comunicação máquina-à-máquina (M2M) como, por exemplo, em terminais de pagamento via cartão de débito/crédito (EFTPOS) e serviços de rastreamento de veículos.


A partir da 2.5G os sistemas celulares passaram a contar com duas estruturas de rede, circuit switched e packet switched, situação mantida pela 3G, que viabilizou o acesso à internet, mas abandonada na 4G, concebida inteiramente como packet switched. Nesse caso, o serviço de voz tradicional é suportado pelo fallback para a 3G ou pela telefonia IP (VoLTE).


No Brasil, a 4G lidera em número de assinantes seguido pela 3G. A 2G, embora se encontre em processo de desligamento, com previsão para 2025, ainda conta com uma grande base nacional sobretudo pelo suporte ao M2M.


Eis que surge a 5G – tecnicamente 5G-NR (New Radio), especificada em 2015 pelo Release 15 da 3GPP sob duas modalidades: 5G NSA (Non Stand Alone), que herda a infraestrutura das redes LTE (4G), e a 5G AS (Stand Alone), 5G pura ou revolucionária, fazendo uso do core 5G, concebido com abordagens Software Defined Networking (SDN) e Network Functions Virtualization (NFV).


No país, a rede 5G, que vinha sendo postergada, ganhou fôlego recentemente. A aprovação do edital do leilão de frequências, em fevereiro de 2021, ratificou esta que é considerada a maior oferta de espectro do mundo. Após discussões sobre o modelo a ser adotado no Brasil, considerações sobre desafios de universalização da tecnologia e de investimento, o edital foi encaminhado em março deste ano ao Tribunal de Contas da União (TCU).


O edital foi aprovado pela Anatel com a exigência de cumprimento de especificações do Release 16 (5G SA), apontando para uma rede celular de 5ª geração plena. As frequências permitidas serão: 700 MHz, 2.3 GHz, 3.5 GHz, 26 GHz, sendo a 700 MHz resultante da sobra de uma licitação antiga (bloco: 10 + 10 MHz ou 5 + 5 MHz), possibilitando a implantação de 5G em pequenas cidades do interior.

Assim como em todo o mundo, a frequência 3.5 GHz será a principal faixa para a implantação da rede 5G no Brasil, com blocos de 80 MHz (1ª rodada) e 20 MHz (2ª rodada). Destaca-se, porém, que o uso dessa frequência pode interferir em sinais de satélite da banca C, atualmente utilizada no serviço TVRO (serviço de TV com antena parabólica). Prestadoras de serviço de satélite deverão ceder 75 MHz, conhecida como banda “C estendida”, que ocupa a faixa de 3,625 GHz a 3,7 GHz, caso a ANATEL decida delegar essa faixa de frequência à 5G. O espectro de frequências com ondas milimétricas (mmWave) adotado para a 5G foi o de 26 GHz, com 12 blocos de 200 MHz ou 8 blocos de 400 MHz.


O edital do leilão da 5G, que atualmente se encontra no TCU para análise, deve ser lançado no país até o fim de 2021, quando haverá a liberação da outorga do direito de uso das frequências e, em seguida, a implantação das redes de 5ª geração trazendo grandes oportunidades para o desenvolvimento do país.


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